Pesquisa sobre inclusão de pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho é lançada

Publicado em 06 de Maio de 2026 em Imprensa

Segundo o estudo, a exclusão custa cerca de R$ 94 bilhões ao ano para o Brasil

 

A pesquisa sobre “Custo econômico da exclusão baseada em orientação sexual, identidade e expressão de gênero e características sexuais no mercado de trabalho brasileiro” foi lançada durante o encontro exclusivo com lideranças de empresas e especialistas na última terça-feira, 5 de maio, no escritório de TozziniFreire em São Paulo. Durante o evento, foi destacado evidências que conectam inclusão, produtividade e sustentabilidade dos negócios.

 

O encontro foi promovido pelo Banco Mundial em conjunto com a to.gather, o Instituto Mais Diversidade (representando o consórcio de organizações), pelo Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ e por TozziniFreire Advogados. A proposta foi aproximar os resultados do estudo do universo empresarial, oferecendo subsídios para decisões de gestão de pessoas, cultura e estratégia baseadas em evidências.

 

A abertura do encontro foi realizada por Guilherme Ribas, sócio de TozziniFreire; e Érika Vaz, fundadora da startup to.gather, que destacou a relevância da pesquisa como um estudo populacional inédito conduzido pelo Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes. “Hoje, discutimos não apenas dados, mas o impacto social e econômico da exclusão da população LGBTI+ no mercado de trabalho”, afirmou Érika.

 

O estudo foi apresentado por Samuel Araújo, especialista em demografia. De acordo com a pesquisa, a exclusão LGBTI+ pode representar uma perda anual próxima de R$ 94 bilhões para a economia brasileira, considerando mecanismos como diferenças salariais, desemprego, inatividade e informalidade. No recorte fiscal, o estudo estimou impacto de aproximadamente R$ 14,6 bilhões associado sobretudo à menor arrecadação, além de efeitos sobre benefícios sociais; o desemprego aparece como um dos principais componentes do custo econômico, estimado no evento em cerca de R$ 44,8 bilhões.

 

A coleta de dados combinou estratégias online e em campo e alcançou mais de 11 mil respostas válidas, além de grupos focais em diferentes cidades. Segundo os organizadores, a abordagem buscou ampliar a diversidade da amostra e considerar marcadores como raça/cor, território e diferentes identidades dentro da população LGBTI+. No entanto, a pesquisa contou com metodologia apta a segregar os impactos dos demais marcadores sociais, de modo a identificar o custo específico da exclusão LGBTI+.

 

Para Mariah Rafaela Silva, consultora de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Banco Mundial, a iniciativa busca responder a uma pergunta objetiva: “quanto custa para o Brasil excluir a população LGBTI+ no mercado de trabalho”, agregando ao debate de direitos humanos uma perspectiva de desenvolvimento. Já Samuel Araújo, especialista responsável pela parte técnica da pesquisa, ressaltou o caráter colaborativo do estudo e o incentivo ao uso dos dados.

 

Os dados alarmantes sobre discriminação e desigualdade salarial foram discutidos em um painel que contou com a participação de Clara Serva, sócia de Direitos Humanos de TozziniFreire; Mafoane Odara, executiva de pessoas, cultura e transformação; Reinaldo Bulgarelli, Diretor de Diversidade em Gestão de Pessoas da ABRH; e Ricardo Sales, fundador e presidente do Instituto +Diversidade; que reforçaram a necessidade de implementar políticas efetivas de inclusão.

 

“A diversidade e a inclusão não são apenas questões de direitos humanos, mas sim uma estratégia essencial para o crescimento econômico e a sustentabilidade das empresas”, destacou Reinaldo.

 

Entre os achados debatidos, o estudo apontou que experiências de discriminação ainda são frequentes no ambiente corporativo: participantes relataram exposição a comentários e comportamentos negativos por serem LGBTI+, com maior incidência entre grupos mais vulnerabilizados. Também foi destacado que muitas pessoas afirmam ter testemunhado discriminação direcionada a colegas, indicando impactos que vão além de episódios individuais e afetam a permanência e a progressão de carreira.

 

Durante o painel de discussão, participantes destacaram a importância de fortalecer a governança corporativa do tema, revisar práticas de recrutamento e progressão com processos estruturados, investir em gestão por indicadores (contratação, retenção e desenvolvimento de carreira), além de ampliar ações de saúde mental e mecanismos de prevenção e resposta a discriminação. Também foi ressaltado o valor de parcerias e iniciativas que conectem esforços públicos e privados para ampliar a empregabilidade e promover trabalho digno. Clara enfatizou que “discriminação é crime, mas também tem consequências jurídicas cíveis, trabalhistas, administrativas e consumeristas. As empresas devem estar atentas às consequências jurídicas e reputacionais de suas ações ou omissões”.

 

Para mais informações sobre a pesquisa e acesso ao relatório completo, visite: Custo da Exclusão LGBTI+ no Brasil.