ECA Digital: Regularização e fiscalização da atividade artística de crianças e adolescentes em ambientes digitais
O Plenário do CNJ aprovou a proposta de Resolução sobre alvarás para participação de crianças e adolescentes em atividades artísticas no ambiente digital em sessão de 23 de junho de 2026; o acórdão/documento foi registrado em 25–26 de junho de 2026.
CENÁRIO
A Resolução cria procedimento nacional uniforme para expedição, revisão e fiscalização dos alvarás e institui o Banco Nacional de Alvarás para Atividade Artística de Crianças e Adolescentes (BNAC).
A obrigatoriedade de alimentação e o cronograma de disponibilização do BNAC serão fixados por ato da Presidência do CNJ (Art. 23). Até lá, o extrato judicial poderá comprovar a existência/validade do alvará (Art. 26, §2º).
O que mudou:
- Nacionalização do procedimento: parâmetros uniformes para pedir, analisar e conceder alvarás judiciais que autorizem crianças/adolescentes a participar de conteúdos digitais monetizados ou impulsionados.
- Criação do BNAC: registro centralizado com finalidade de consulta, fiscalização, rastreabilidade e produção de indicadores.
- Regras de instrução de pedidos: checklist mínimo de documentos e informações (contas, monetização, contratos, carga de exposição, histórico dos últimos 5 anos, dados de saúde/educação etc.).
- Salvaguardas obrigatórias possíveis no alvará: limites de carga horária, proteção à saúde mental/física, preservação escolar, restrições de conteúdo, proteção de privacidade e proteção patrimonial (reservas, controles, prestação de contas).
- Prazos máximos dos alvarás: 12 meses para crianças; 18 meses para adolescentes; renovação por nova análise judicial.
- Proibições expressas: conteúdos erotizados/sexuais; exploração indevida; publicidade dirigida abusiva ao público infantil; promoção de apostas/azar; exposição às piores formas de trabalho infantil; etc.
- Intervenção obrigatória do Ministério Público em todos os pedidos: possibilidade de suspensão, revisão e revogação automática em caso de indícios de descumprimento ou exploração.
- Competência: pedidos processados pelo juízo da infância e juventude do domicílio da criança/adolescente (juízo prevento para pedidos subsequentes).
- Transição: alvarás existentes permanecem válidos até o término da vigência, mas poderão ser adaptados e registrados no BNAC.
Por que importa para a sua empresa
| Frente de risco |
O que está em jogo |
| Responsabilidade por verificação: |
Fornecedores de produtos/serviços de TI (plataformas) deverão permitir mecanismos para verificar existência/validade do alvará antes de monetizar/impulsionar conteúdo que explore habitual e monetariamente imagem/rotina de menor (Art. 22, III). Falha poderá gerar responsabilização administrativa, civil e reputacional. |
| Litígios e fiscalizações: |
Maior probabilidade de ações civis públicas, execuções por órgãos de proteção da criança, autuações trabalhistas (MPT/MT/Justiça do Trabalho) e demandas consumeristas por publicidade abusiva. |
| Distinção artística x publicidade: |
Votos e notas técnicas (MPT, CNJ) reforçam risco de interpretação restritiva — atividades de “influencer” e publicidade podem ser consideradas trabalho (não “atividade artística”), acarretando proibição para menores em muitos casos. Empresas que tratem essas atividades como simples “conteúdo” correm risco processual. |
| Contratos e cadeia de responsabilidade: |
Anunciantes e agências que patrocinem/monetizem conteúdo com menores podem ser responsabilizados se não exigirem prova de autorização judicial válida ou se promoverem publicidade dirigida a crianças. |
| Proteção de dados (LGPD) |
BNAC conterá dados sensíveis de infâncias — tratamento e níveis de acesso deverão observar minimização e medidas técnicas. Vazamento ou uso indevido implicará em risco regulatório e danos reputacionais. |
| Risco financeiro/operacional |
Pagamentos a menores sem estrutura patrimonial adequada (conta-reserva, mecanismos de bloqueio) podem gerar exigências judiciais e questionamentos por exploração econômica indevida. |
| Conformidade de plataformas |
Alteração de produto (habilitar monetização, impulsionamento, formatos publicitários por exemplo) pode ficar condicionada à verificação prévia de alvará — impacto operacional e técnico. |
| Nossa perspectiva – Visão estratégica |
| Tendência de endurecimento regulatório e de fiscalização
O marco mostra que Judiciário, MP e MPT querem controle rigoroso sobre a presença de menores em negócios digitais, especialmente quando há monetização/impulsionamento. |
Litígios em dois sentidos
Aumento de ações punitivas (MP, Fiscalização do Trabalho) e demandas defensivas (empresas buscando alvarás, impugnações, medidas cautelares). A atuação preventiva reduzirá custo e risco reputacional. |
Dois vetores a acompanhar
- A linha que distingue atividade artística legítima de atividade publicitária/comercial — decisões futuras e atuação do MPT podem restringir bastante o uso de menores em campanhas.
- Operacionalização do BNAC e integração técnica com plataformas (quando e como será exigido o “check”).
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Consequência prática
Empresas que já operam com criadores de conteúdo infantis ou que planejam campanhas com menores terão de montar compliance interdepartamental (jurídico, produto, marketing, pagamentos, privacidade e compliance trabalhista). |
Algumas recomendações práticas
Curto Prazo (Imediatas)
- Mapeamento rápido: identificar todo conteúdo com participação de menores.
- Suspender monetização/impulsionamento quando não houver prova documental de autorização judicial.
- Notificação interna e cláusulas urgentes: emitir orientações a times de produto, marketing e comercial.
- Checklist para fornecedores: exigir do influenciador/agência/representante cláusula contratual que garanta apresentação de alvará/extrato.
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Médio Prazo (Até 90 dias)
- Revisão contratual padronizada: inserir cláusulas de compliance.
- Processos operacionais: projetar fluxo técnico para verificação de alvarás – integração com BNAC quando disponível.
- Políticas de conteúdo e produto: incluir controle de habilitação de monetização/ads para contas que contenham menores sem autorização.
- Proteção patrimonial: para contratos com remuneração, exigir mecanismos de depósito em conta específica/escrow em nome do menor ou em conta controlada.
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Estamos acompanhando de perto esses desenvolvimentos e seus potenciais impactos para as empresas e permanecemos à disposição para discutir o tema.
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Material informativo; não constitui aconselhamento jurídico. As consequências dependem dos fatos de cada caso; recomenda-se consulta específica.